Direito a Ternura

 

Nesta quinta, um dos temas do almoço foi casamento e como eles não duram nada hoje em dia. Falta de tolerância, independência feminina, infantilidade? Os motivos são vários. Por acaso, achei um artigo no uol falando justamente isso: de como o casamento virou uma competição entre ambas as partes.

 

Neste mundo onde falta compreensão, a ternura se tornou artigo de luxo até nos relacionamentos. Em homenagem ao ótimo trabalho apresentado no dia 22 de junho, aí vai a reportagem:

 

http://claudia.abril.uol.com.br/edicoes/512/aberto/amor_sexo/conteudo_82480.shtml?pagin=1

 

 

Beleza real

E para quem gostou da polêmica da manipulação de imagens, aí vai o link do último vídeo da campanha pela “Real Beleza” da Dove, Evolution.

 

http://video.google.com/videoplay?docid=-6915842737034217262

 

E a resposta do pessoal que acha que a vida real já é feia o suficiente, e que a mídia tem que trazer sim uma imagem mais bonita da realidade:

 

Slob Evolution:

http://video.google.com/videoplay?docid=6555557499225488819

 

Aliás, esse pessoal tem um site, que por mais absurdo que pareça, se chama “campanha contra a vida real”:

www.campaignagainstreallife.com

Quando a novela dá lição de moral

Assistir o Jornal Nacional tem se tornado uma coisa deprimente. Não discutindo a qualidade da cobertura, mas pelas próprias matérias. Um dia desta semana eu consegui assistir (nunca estou em casa neste horário) e tive vontade de chorar no cantinho.

 

Em um só bloco, vi as seguintes notícias:

• Empregada assaltada e espancada em ponto de ônibus no Rio de Janeiro por universitários classe média alta.

• Idoso morto ao tentar impedir que perito do IML furasse fila do caixa eletrônico.

• Senado se esquiva do caso Renan Calheiros, CPI ainda sem relator.

• Governo anuncia a retomada de Angra 3, ao custo de R$ 7 bilhões (essa, em época de aquecimento global e preocupação com o meio ambiente, é realmente brilhante. Quem aí duvida que a obra não vai ser terminada outra vez e o dinheiro vai evaporar?).

 

Esse único bloco bastou pra me deixar absolutamente indignada e desesperançosa com este país. Assisti o resto sem nem prestar atenção. Aí vc me pergunta “E que raios isso tem a ver com novela?” Pois acompanhe.

 

Outro dia, devo admitir q a inércia me deixou na frente da TV depois do jornal e acabei vendo um pedaço da novela. E eis que eu vi uma coisa que não via a muito tempo: um vilão trapaceiro, que gosta de tirar vantagem, ser desmascarado e ouvir tudo o que cada brasileiro gostaria de falar para todos esses caras das notícias do JN.

 

A gêmea boazinha se fechou numa sala com a gêmea malvada e golpista, e falou o que a gente devia falar pros nossos políticos: o mundo não gira em torno de você, roubar e enganar é crime, dá cadeia, e você não é espertão (ona) por passar a perna nos outros. As pessoas honestas também podem ser espertas e reagir, botando gente corrupta e aproveitadora atrás das grades.

 

É bom ver isso, é bom ver as pessoas agindo para que a justiça seja feita, nem que seja na ficção. A moralização deste país depende de cada um, e cabe em todo lugar. Até na novela.

 

Momento de descontração: Death Sign

 

Bem, já que estamos no final do semestre acho que é hora de um pouco de descontração. Seguindo o exemplo de alguns colegas de aula/ blog, eu resolvi postar o link pra uma tirinha sensacional que surgiu na web:

http://deathsign.cafeinado.com/

 

O nome (macabro) é uma brincadeira com design e traz as aventuras de um designer/ dir. de arte estressado, que passa por poucas e boas na agência dele. Recomendo, mesmo pra quem não é da área vale boas risadas.

 

E quem é publicitário com certeza vai reconhecer várias situações.  

Grande poder, grande responsabilidade:

Classificação indicativa da TV aberta.

 

Estou tentando acompanhar a discussão sobre a classificação da TV aberta, e falhando miseravelmente. Mas o pouco que eu vi da discussão sobre classificação e horários específicos para cada tipo de programa vai longe.

 

O argumento das grandes redes é que tal medida seria um tipo de censura, intervenção direta em um meio de comunicação que tem o direito de se expressar como melhor lhe convier. E que são os pais que devem decidir o que os filhos devem assistir.

 

Do outro, governo e sociedade responsabilizam as emissoras, e querem que elas se submetam a uma classificação única, sustentando que nem sempre os pais estão presentes para cuidar do que seus filhos vêem.

 

Pra mim toda a discussão é fruto da falta de bom senso e respeito com o telespectador. Essa guerra de força só mostra uma grande falta de diálogo e responsabilidade de ambas as partes. Poder implica em responsabilidade, e portanto a mídia deveria, ao invés de simplesmente resistir a qualquer discussão, assumir para si as questões que surgem a partir do exercício (e abuso) deste poder. E a sociedade deve participar disso.

 

Para saber mais:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70596.shtml

http://jbonline.terra.com.br/extra/2007/06/27/e270623653.html

http://www.estadao.com.br/arteelazer/tv/noticias/2007/jun/19/254.htm

 

Blogs como nova mídia

 

O Blog já se tornou parte da cultura web, e sua influência não pode ser negada. Tanto que ele foi a forma que o profº Dimas encontrou para discutirmos e aprofundarmos temas das aulas e experimentarmos um pouco do poder da mídia em nossas mãos.

 

Seja como diário, seja como jornalismo amador, os blogs são cada vez mais uma fonte de informação e troca entre os internautas. E um deles mostra que os blogs podem ser muito mais: www.jornalirismo.com.br

 

Ele, que começou como um blog, hj se tornou um site com uma proposta mais ampla, trazendo reportagens sobre mídia, publicidade, jornalismo, literatura e muito mais, mantendo a interatividade dos comentários. 

Quando o poder é maior que o poder da mídia

 

Essa é notícia velha, mas merece reflexão assim mesmo. 

 

Deve fazer mais ou menos um mês, Hugo Chávez tirou do ar um canal de oposição, o RCTV. O motivo seria a falta de “ética jornalística” da emissora, que notoriamente apoiou a tentativa de golpe contra Chávez em 2002, e ignorou os movimentos a favor do presidente. Criticada em diversos países, a medida expôs ainda mais (como já não fosse visível) o autoritarismo de Chávez.

 

Eu estou lendo 1984 de George Orwell. E não posso deixar de considerar sinistra a semelhança no tratamento da mídia: o novo canal, ao entrar no ar no lugar da RCTV, começou suas transmissões com o hino nacional e depois com filmes do governo, para divulgar a “revolução socialista” (???! AINDA????!) de Chávez. Muito parecido com a teletela, o aparelho que estava em todos os lugares, vigiando e transmitindo programação do governo (como hinos e filmes) o tempo todo. Só falta o cartaz do “Grande Irmão”.

 

Assustador não é? Porém mais assustador é saber que, segundo uma pesquisa da Datanalisis, 70% dos venezuelanos são sim contra o fechamento da RCTV, mas por causa da perda das novelas, não pela liberdade de expressão.

 

Leia mais: http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2007/05/28/ult729u67760.jhtm

 

 

Beleza americana

 

 

Quando se fala em mídia e poder, se fala muito de manipulação e controle nas notícias. Mas não podemos esquecer da força da imagem e quanto ela pode ser manipulada. O termo hiper-realidade – uma realidade mais real do que a nossa realidade, e por isso mais envolvente -, abrange essa nova forma de controle.

 

Nada é o que parece, mas nós acreditamos neste mundo ideal, porque somos envolvidos por ele diariamente.

 

Então, para exemplificar, aqui vai um link bem interessante, que mostra todo o poder do photoshop (clique em portfólio para ver os trabalhos, no menu superior):

 

http://www.iwanexstudio.com/

 

E um exemplo ainda mais atual:

http://www.omelete.com.br/cine/100005386/Hermione_turbinada_em_divulgacao_de_Harry_Potter_e_a_Ordem_da_Fenix.aspx

 

Ser “estranho” – o Pensamento moderno em ação

 

“People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted
Streets are uneven when you're down
When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name”

The Doors

 

Tivemos outra discussão interessante sobre o pensamento moderno, mais exatamente sobre a parcialidade do discurso na guerra do Iraque. Começou então um debate sobre a divisão reducionista e preconceituosa de uma visão de mundo cada vez mais presente, não só na mídia, mas nas relações do cotidiano.

 

Parece até coisa de filme americano. É cada vez mais comum os grupinhos de “clones” – meninas e rapazes sempre muito similares, que quando vêem uma pessoa que não correspondem a seu estereótipo, já lançam um – “Fulano é tão estranho...”.

 

Ser estranho virou doença. Ser estranho é não estar na moda, não seguir os mesmos costumes, é andar (e até pensar) diferente. Quando se é estranho, na ótica das outras pessoas você é errado. Você pode ser “zoado”. O estranho nunca é ouvido, a diferença nunca é somada.

 

Qualquer coisa pode fazer de você um “estranho”. Suas roupas, seu gosto pra música, seus acessórios, seu jeito de falar. Nesse admirável mundo novo, ou você corresponde às últimas tendências, gosta do que todo mundo gosta, anda em grupo, gosta de balada, ou você é “estranho”. E assim se forma a nossa amiga “espiral do silêncio”, calando as vozes estranhas e dissonantes da nossa distopia.

 

Por que isso acontece? Acredito eu que tudo é fruto de um etnocentrismo que já vem de tempos e se perdurou como a visão correta do mundo. Uma visão que faz parte deste pensamento moderno.

 

 Existe uma dificuldade de ver e aceitar a diferença, conviver com ela. Nos chamamos de civilizados, e quem não adota o mesmo estilo de vida não o é. Essa visão deu muitas vezes a desculpa para guerras, conquistas, barbárie. Se o outro faz de um jeito diferente, isso significa que ele faz errado, está atrasado, e isso atrapalha o “progresso” e “civilização”. Uma forma de reafirmar a nós mesmos e a nossa cultura, com uma hierarquia de “melhor/ pior”.

 

Olhe pra mídia, que valida padrões de beleza e comportamentos, e o que você vai ver? Pessoas brancas, magras, modernas, sempre jovens. Estereótipos de uma lógica perversa, de controle e submissão. Uma sociedade estranha, sem dúvida.

 

 

Dica de leitura: Rocha, Everardo P. Guimarães. O que é etnocentrismo. São Paulo. Ed. Brasiliense (Coleção Primeiros Passos), 1992.

Debord, Guy. Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: 1967.

 

 

 

Cidade Limpa?

 

Está no ar a mais nova campanha da Prefeitura de São Paulo, para defender seu polêmico projeto Cidade Limpa. No filme, vemos faixas, outdoors e outros elementos de poluição visual magicamente removidos da paisagem de São Paulo, revelando belos e bem conservados prédios históricos no centro da cidade. Má, publicidade má, fazendo mal pra cidade,  que coisa mais feia.

 

Pois é, a propaganda emporcalha nossa linda cidade. Fora com ela, ok, ok, entendi. Ignore a falsidade dos belos prédios da propaganda (ahã, todos os prédios históricos estão esse primor sim, viu), e volte pra realidade.

 

Que a cidade, em vários pontos, estava uma nojera, é fato. Um exagero de faixas e propaganda de qualidade discutível. Era realmente preciso rediscutir e impor limites. Mas o que o “Cidade Limpa” está fazendo não é impor limites. É banir toda a publicidade externa.

 

Vamos ignorar a inconstitucionalidade dessa lei, que não me compete. Mas preste atenção em como estão alguns pontos de São Paulo. Lojas que antes eram fáceis de encontrar, agora praticamente sumiram de vista (a medida afetou as fachadas). Estruturas abandonadas de outdoors, vazias, pra todo lado. E nem consigo imaginar a Marginal Pinheiros sem seus caprichados seqüenciais.

 

Diz a prefeitura que chamou as empresas de comunicação visual para discutir e chegar a um acordo sobre áreas permitidas e de proibição. As empresas dizem que não. A prefeitura alegou que as tentativas anteriores de regulamentação eram burladas, e as empresas denunciaram extorsão de fiscais, enquanto a prefeitura denunciava tentativa de suborno.

 

Não dá para ignorar os joguinhos de interesse, aqui e ali. Óbvio que rolava suborno, e muita coisa irregular. Pra isso, era preciso cobrar controle. Mas no lugar de controle e fiscalização, a mão-de-ferro da proibição.

 

Só que, no meio de tudo isso, 20 mil trabalhadores desta categoria verão seus empregos desaparecerem da noite pro dia. E me diz, com sinceridade: quem nunca viu um outdoor e pensou: “nossa, que legal”.

 

É, esse tempo acabou. Enquanto isso, as empresas fazem o que podem pra sobreviver. Ou seja: lotam as cidades próximas. Logo, logo, vamos precisar de “cidade limpa” no ABC.

 

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/nytimes/2623501-2624000/2623934/2623934_1.xml 

 

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1160341-EI306,00.html

300: o pensamento moderno diretamente na Grécia antiga

 

Um pouco atrasado, eu sei. Mas queria abrir espaço aqui para discutir um pouco o pensamento presente neste filme que causou frison nas últimas semanas.

 

 

 

Antes de ser apedrejada, esclareço: eu AMEI 300, vi duas vezes e vibrei nas duas. Quem não viu está perdendo. Não pelo Rodrigo Santoro, que me perdoem as fãs, está uma carnavalesca histérica em seu abre-alas rs (brincadeira, calma, calma aí rs).

 

Agora, voltando para o que interessa, eu e uma amiga, depois de assistir 300, fizemos o mesmo comentário: “que discursinho mais iluminista!”. Retomando as aulas de história para quem perdeu o fio da meada: o iluminismo foi um movimento do século XVIII, que enfatizava a razão e a ciência para explicar o mundo, e por isso vinha “iluminar” as mentes incultas.

 

E não, eu não bebi o suficiente para confundir Grécia antiga com século XVIII. Sei perfeitamente do enorme abismo de tempo entre um e outro. Mas ao assistir 300, tive a impressão que o diretor pegou um e bateu no liquidificador com o outro.

 

Novamente, não é uma crítica ao filme (vale à pena! Vá assistir!), mas uma reflexão. Em um ambiente pré-cristão, os personagens fazem discursos inflamados sobre liberdade, razão e lógica “Os Persas ameaçam a frágil Grécia, única esperança de razão e luz em um mundo de trevas”, é mais ou menos o que diz Dilios em um discurso (se não me falha a memória rs). Veja a divisão dualista, de luz e trevas, bom e mal, comum na nossa sociedade, mas fora de contexto na grega.

 

É curioso esse pensamento para a época retratada. Porque embora a Grécia seja o berço ocidental da filosofia e ciência, a valorização da razão é uma coisa altamente cartesiana, portanto, moderna. Também a liberdade, tão defendida pelos personagens, tinha um conceito diferente do que temos hoje – lembre-se que o famoso modelo de democracia ateniense valia para poucos, e que as cidades-estados gregas, especialmente Esparta, eram sustentadas por trabalho escravo.

 

Ou você acha que os caras treinavam desde criancinhas só pra ser herói e morrer lutando bravamente? Não senhor: Esparta vivia sob a velada ameaça de uma revolta de escravos, os hoplitas, uma população bem maior que a de homens livres. Só uma sociedade altamente militarizada podia sufocar esse perigo.

 

Não é concebível uma Esparta onde seus habitantes falem de oráculos e deuses como “misticismo infundado”. É da Grécia antiga que falamos. Os Gregos não construíram uma mitologia altamente complexa de enfeite, concorda? Isso era parte de suas vidas, a presença e ação dos deuses era incluída em relatos históricos e estão presentes em textos de filosofia.

 

Então o que vemos em 300 não é uma Grécia antiga se levantando contra os persas, ou o ato heróico de poucos contra o enorme exército de um tirano. 300 é antes de tudo um filme que defende uma ideologia moderna: de progresso, de razão, de lógica. Pode parecer furada, já que é meio “ilógico” que 300 soldados vão para a morte certa. Mas não é. 300 é o triunfo da lógica moderna (ocidental e branca) contra o outro, contra o que não compreende. Uma lógica que vence, mesmo quando parece perder (reparem no final de Leonidas, e na semelhança da cena com a crucificação. Coincidência rs?)

 

 

 

300 vem até nos e para dizer “glorifiquem sua civilização moderna, e o pensamento racional que é a base do progresso.”. Pouco importam os Persas – aqui eles são só o estrangeiro, visto como exótico, soberbo e exagerado, o vilão, o outro. Eles são só mais um instrumento para exaltar a grandeza do pensamento que será a grande justificativa do capitalismo como o conhecemos.

As rosas não falam

 

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem

As rosas não falam”
Cartola

 

 

A capa da Folha de São Paulo do dia 20/04/07 trazia a bela imagem acima, repleta de beleza e significado.

 

O campo de rosas em plena Praia era uma manifestação da ONG Rio da Paz, um protesto pelos mortos na cidade de janeiro até abril, representados em cada uma das 1.300 rosas vermelho-sangue fincadas na areia.

 

Expressiva, a cena impressionou turistas e moradores, e se espalhou com bastante rapidez no noticiário. Sim, a imagem das rosas cumpriu seu dever de chamar a atenção. Mas ela irá além disso?

 

Protestos assim tem sido freqüentes no Rio de Janeiro, prato cheio para a mídia, que faz matérias comoventes e engajadas, mostrando a revolta dos cidadãos e a solidariedade com as famílias dos mortos, onde todos pedem providências.

 

Sim, providências, mas quais?

 

O que nos dizem essas rosas, além da tristeza da perda? Que resposta elas dão à violência? Que atitude elas conseguem das nossas autoridades?

 

Não posso deixar de ter a impressão que essas imagens ajudam muito a vender jornais e dar ibope, mas muito pouco a resolver uma situação que chegou ao extremo absurdo. Será que uma manifestação assim é realmente efetiva, ou as manifestações se tornaram encenações para que expiemos um pouco da nossa culpa e revolta sem maiores preocupações, através da lente da mídia?

 

Porque depois de noticiar a imagem da revolta, a mídia encerra o assunto. Não há cobranças reais nas autoridades, não há reportagens investigativas para indicar porque chegamos as 1300 rosas e o que fazer para que essa imagem emblemática não se repita. O que importa é o espetáculo, o simbolismo das rosas, e apenas isso.

 

Até quando vamos nos queixar as rosas, esperando que autoridades que vivem em redomas douradas se comovam com um sofrimento que não faz parte da realidade delas? Até quando nos apoiaremos em belas imagens, e não na ação e iniciativa real?

 

Porque esta bela imagem também é uma ilusão midiática – a ilusão de que protestamos, que fazemos algo a respeito. Enquanto essas famílias expressam assim a sua dor, nós assistimos pela TV, achamos a imagem tristemente linda e mudamos de canal.

 

“(...) A beleza é um conceito

E a beleza é triste

Não é triste em si

Mas pelo que há nela

De fragilidade e incerteza (...)”

Manuel Bandeira - Madrigal Melancólica

A Nike não joga limpo.

Falando em marcas e propaganda, ontem me deparei com um artigo muito interessante sobre a Nike, que tem tudo a ver com a conversa em sala sobre corporações ocas.

 

No artigo “A Nike joga bonito?”, Gibran Lachowski fala da criação de marcas desassociadas do processo de produção e da diminuição da importância do espaço e da discussão pública, além de abordar como a publicidade cria a ilusão de uma outra realidade, evitando perturbações e questionamentos, do tipo – Se a Nike não tem fábricas, quem produz e como produz esses produtos? Quem protege esse trabalhador?

 

Questões fundamentais, que todos nós deveríamos fazer de vez em quando, principalmente ao olharmos uma marca linda e reluzente, que em um único símbolo promete felicidade, sucesso, vitória e bem-estar.

 

Leia, vale a pena :

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=389JDB008

 

Ilusão e realidade – a testemunha ocular brasileira

 

Já que falamos tanto nas aulas em distorção da mídia, ilusão de verdade e etc, quero chamar a atenção para a recente notícia que monopolizou a mídia recentemente, o massacre na Universidade da Virgínia.

 

Em um fato tão chocante e lamentável como esse, não param de aparecer vídeos, cartas, análises, críticas e é claro, depoimentos. Relatos de sobreviventes, de pessoas que conheciam o atirador, professores... Qualquer um que puder lançar alguma luz sobre as motivações desse crime bárbaro.

 

Agora, achei curioso quando, um dia após o ocorrido, a Globo estava entrevistando uma brasileira que estuda por lá. Ela estava na cena do crime? Não. Ela conhecia o atirador? Não. Era simplesmente uma brasileira lá. Qual a relevância dela para a investigação dos fatos? Possivelmente, zero.

 

Então porque raios ela estava sendo entrevistada? Penso eu q deve ser pelo mesmo motivo q um correspondente na Inglaterra fala sobre o que acontece no Iraque. Para criar uma ilusão – uma ilusão de exclusividade, de participação, de furo de reportagem, de presença no que está acontecendo lá.

 

Na folha (http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u61899.shtml) também saiu uma entrevista com um estudante brasileiro e a opinião dele sobre a segurança na universidade.

 

Aliás, já reparam que tem SEMPRE um brasileiro? SEMPRE que acontece algum fato sensacional ou trágico lá fora, SEMPRE tem o depoimento do brasileiro, mesmo que ele esteja a 10 km do ocorrido, não saiba nem o que aconteceu ou tenha presenciado o fato. Mas o importante é ter a testemunha brasileira.

 

A imagem e a Publicidade – padrão de beleza ou beleza padronizada?

 

Sou publicitária – redatora, pra ser mais exata – e sei de tudo o que a maioria tem a dizer sobre a publicidade. Que é uma área manipulativa, mentirosa, trabalha pro sistema, etc, etc. Embora eu não ache que somos esse monstro feio e malvado q as outras áreas adoram pintar, admito algumas culpas da minha profissão.

 

Ao contrário do que dizia a Sprite na sua antiga campanha, a imagem É tudo. Você não vai comprar um shampoo que não deixe os cabelos bonitos e brilhantes, nem vai querer uma roupa que pareça comum, sem graça, sem estilo. Faz tempo, muito tempo, que não vendemos produtos. Vendemos marcas, vendemos estilos de vida, vendemos sonhos, coisas em que se basear e com o que se identificar.

 

Isso tem seu lado bom – uma comunicação criativa, desafiadora, interessante. Tem gente que gosta de comercial, sabia? Mas também gera um lado negativo – a influência estética e a padronização.

 

É fácil perceber. Quer um exemplo bem banal? No metrô, procure por mulheres, de 20 a 30 anos, de cabelos cacheados. Deveria ser uma coisa fácil, uma vez q este país foi formado através de intensa miscigenação racial. A variedade deveria ser uma característica inerente ao nosso povo. Mas o que eu constato cada vez mais é que estão ficando todas iguais! As mesmas roupas, o mesmo jeito, a mesma magreza absurda, o mesmo cabelo liso (formol rs?). Ah sim, sou contra. Não contra o liso ou a pessoa ser magra – cada um com seus problemas e, afinal, eu faço lá minha escovinha de vez em quando, também gosto – mas contra essa ditadura estética que cria bonecas padronizadas, capazes de sacrificar a própria saúde (formol? Quem em sã consciência usa na cabeça um produto que serve pra preservar cadáveres?!!!) por uma imagem ilusória.

 

Se a publicidade é culpada? Não só a publicidade, mas a mídia em geral. Essa imagem de mulher, “linda, magra e elegante” 24hs por dia, bem sucedida e sem um fio de cabelo fora do lugar, impôs à geração filha do feminismo uma nova repressão, velada e voluntária. E ainda mais triste.

 

Não que a mulher não deva se importar com a aparência – longe disso. Mas acho que cada uma representa uma beleza diferente e deveria valorizar essas características únicas. Isso tudo me veio à cabeça quando, dia desses, esperava o ônibus no terminal e atrás de mim vi uma menina, não mais que 16 anos, vestida de manhã como se tivesse 30 e estivesse pronta pra “pegar todos” na balada (não, não sou tão conservadora, era demais mesmo, acredite), cabelo-liso-escorrido-espigado (hã...formol?) e lendo uma revista chamada Kawaii College (http://www.kawaiicollege.com.br), voltada para o público adolescente. As matérias?  Moda, beleza, desfiles, moda, maquiagem, moda, beleza...

 

 

E falando em Sprite

 

E por falar na Sprite, já faz um tempo que eles estão com uma campanha no ar. Com o slogan “As coisas como são”, a campanha se propõe a mostrar a realidade do dia-a-dia, satirizando fatos comuns e até a própria propaganda, com a narração irônica de João Gordo.

 

Querendo ser ousada e divertida, a campanha sintoniza a marca com o público jovem, sarcástico e irreverente, ao “tirar sarro” dos clichês que a própria categoria de refrigerantes costuma utilizar.

 

É engraçado ver a propaganda criando a ilusão de sinceridade para bancar “o melhor amigo”, o único realmente sincero. E com isso conseguir mais consumidores.

 

http://www.portaldapropaganda.com/vitrine/tvportal/2007/03/0013?data=2007/03

Teatro Mágico: a fama antes da mídia

 

Estou atrasada nos meus posts. É fato. Somando a correria e uma certa incompatibilidade de gênios entre mim e o blig, deixei de postar. Pois agora vamos por as coisas nos eixos: mudei o blog pro uol e estou começando um novo texto. Blog novo, vida nova ehehhe.

 

Enfim, faz tempo q eu estava querendo abordar um fenômeno que começa a surgir na mídia e que acho muito interessante: o Teatro Mágico.

 

Creio que muita gente já ouviu falar desse grupo que une arte circense, poesia, música e teatro e que se tornou uma febre entre o público jovem. Tive contato com o trabalho deles através do pessoal que trabalha comigo.

 

Adianto que não estou fazendo nenhuma divulgação, nem sou nenhuma tiete doida, já que o som deles não faz muito meu estilo. Mas coloco o TM aqui por três razões: 1º, É um trabalho de qualidade, você goste ou não. 2º O trabalho deles tem conteúdo, coisa que eu não via há tempos nas bandas brasileiras novas, e nesse conteúdo também existem críticas a sociedade de consumo e a mídia, e 3º Eles são um desses casos raros de sucesso sem jabá, sem serem “criados” pela mídia – hoje, a mídia corre atrás deles.

 

Ah sim, corre mesmo. Porque o Teatro Mágico é cada vez mais um fenômeno. Arrastam multidões fiéis para seus shows, seus fãs são seguidores, que repetem as frases das músicas como um mantra.

 

É até difícil classificar o Teatro Mágico. Este grupo une poesia, teatro, circo, música, malabares e literatura em suas apresentações. Um espetáculo completo e envolvente, que cativa a platéia e tem surpreendido a mídia. Porque as mensagens que ele passa são complexas, e ele não se encaixa em qualquer categoria, como as gravadoras adoram fazer para vender mais. A mensagem deles falam de cultura, de valores, de educação, política e cultura popular.

 

Nenhuma gravadora pensaria que algo assim faria tanto sucesso com jovens do país inteiro.

 

O interessante é como o grupo cresceu. Surgido em Osasco, ele contou basicamente com 2 tipos de divulgação: Internet e boca-a-boca. O material do TM está disponível no site, para quem quiser baixar, o grupo incentiva a cópia e distribuição gratuita das suas músicas e vende CDs nos shows a R$5. Gravados de forma caseira, já venderam mais de 40 mil unidades, sem apoio de gravadoras.

 

Agora, eles viraram moda, estão no Youtube, aparecem na globo, na folha, no estadão. Mas assim mesmo, eles ainda são um fenômeno – alcançaram a fama antes de ter a mídia, e agora a mídia tenta alcançá-los.

 

Conheça mais:

 

http://www.oteatromagico.mus.br

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