A Nike não joga limpo.

Falando em marcas e propaganda, ontem me deparei com um artigo muito interessante sobre a Nike, que tem tudo a ver com a conversa em sala sobre corporações ocas.

 

No artigo “A Nike joga bonito?”, Gibran Lachowski fala da criação de marcas desassociadas do processo de produção e da diminuição da importância do espaço e da discussão pública, além de abordar como a publicidade cria a ilusão de uma outra realidade, evitando perturbações e questionamentos, do tipo – Se a Nike não tem fábricas, quem produz e como produz esses produtos? Quem protege esse trabalhador?

 

Questões fundamentais, que todos nós deveríamos fazer de vez em quando, principalmente ao olharmos uma marca linda e reluzente, que em um único símbolo promete felicidade, sucesso, vitória e bem-estar.

 

Leia, vale a pena :

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=389JDB008

 

Ilusão e realidade – a testemunha ocular brasileira

 

Já que falamos tanto nas aulas em distorção da mídia, ilusão de verdade e etc, quero chamar a atenção para a recente notícia que monopolizou a mídia recentemente, o massacre na Universidade da Virgínia.

 

Em um fato tão chocante e lamentável como esse, não param de aparecer vídeos, cartas, análises, críticas e é claro, depoimentos. Relatos de sobreviventes, de pessoas que conheciam o atirador, professores... Qualquer um que puder lançar alguma luz sobre as motivações desse crime bárbaro.

 

Agora, achei curioso quando, um dia após o ocorrido, a Globo estava entrevistando uma brasileira que estuda por lá. Ela estava na cena do crime? Não. Ela conhecia o atirador? Não. Era simplesmente uma brasileira lá. Qual a relevância dela para a investigação dos fatos? Possivelmente, zero.

 

Então porque raios ela estava sendo entrevistada? Penso eu q deve ser pelo mesmo motivo q um correspondente na Inglaterra fala sobre o que acontece no Iraque. Para criar uma ilusão – uma ilusão de exclusividade, de participação, de furo de reportagem, de presença no que está acontecendo lá.

 

Na folha (http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u61899.shtml) também saiu uma entrevista com um estudante brasileiro e a opinião dele sobre a segurança na universidade.

 

Aliás, já reparam que tem SEMPRE um brasileiro? SEMPRE que acontece algum fato sensacional ou trágico lá fora, SEMPRE tem o depoimento do brasileiro, mesmo que ele esteja a 10 km do ocorrido, não saiba nem o que aconteceu ou tenha presenciado o fato. Mas o importante é ter a testemunha brasileira.

 

A imagem e a Publicidade – padrão de beleza ou beleza padronizada?

 

Sou publicitária – redatora, pra ser mais exata – e sei de tudo o que a maioria tem a dizer sobre a publicidade. Que é uma área manipulativa, mentirosa, trabalha pro sistema, etc, etc. Embora eu não ache que somos esse monstro feio e malvado q as outras áreas adoram pintar, admito algumas culpas da minha profissão.

 

Ao contrário do que dizia a Sprite na sua antiga campanha, a imagem É tudo. Você não vai comprar um shampoo que não deixe os cabelos bonitos e brilhantes, nem vai querer uma roupa que pareça comum, sem graça, sem estilo. Faz tempo, muito tempo, que não vendemos produtos. Vendemos marcas, vendemos estilos de vida, vendemos sonhos, coisas em que se basear e com o que se identificar.

 

Isso tem seu lado bom – uma comunicação criativa, desafiadora, interessante. Tem gente que gosta de comercial, sabia? Mas também gera um lado negativo – a influência estética e a padronização.

 

É fácil perceber. Quer um exemplo bem banal? No metrô, procure por mulheres, de 20 a 30 anos, de cabelos cacheados. Deveria ser uma coisa fácil, uma vez q este país foi formado através de intensa miscigenação racial. A variedade deveria ser uma característica inerente ao nosso povo. Mas o que eu constato cada vez mais é que estão ficando todas iguais! As mesmas roupas, o mesmo jeito, a mesma magreza absurda, o mesmo cabelo liso (formol rs?). Ah sim, sou contra. Não contra o liso ou a pessoa ser magra – cada um com seus problemas e, afinal, eu faço lá minha escovinha de vez em quando, também gosto – mas contra essa ditadura estética que cria bonecas padronizadas, capazes de sacrificar a própria saúde (formol? Quem em sã consciência usa na cabeça um produto que serve pra preservar cadáveres?!!!) por uma imagem ilusória.

 

Se a publicidade é culpada? Não só a publicidade, mas a mídia em geral. Essa imagem de mulher, “linda, magra e elegante” 24hs por dia, bem sucedida e sem um fio de cabelo fora do lugar, impôs à geração filha do feminismo uma nova repressão, velada e voluntária. E ainda mais triste.

 

Não que a mulher não deva se importar com a aparência – longe disso. Mas acho que cada uma representa uma beleza diferente e deveria valorizar essas características únicas. Isso tudo me veio à cabeça quando, dia desses, esperava o ônibus no terminal e atrás de mim vi uma menina, não mais que 16 anos, vestida de manhã como se tivesse 30 e estivesse pronta pra “pegar todos” na balada (não, não sou tão conservadora, era demais mesmo, acredite), cabelo-liso-escorrido-espigado (hã...formol?) e lendo uma revista chamada Kawaii College (http://www.kawaiicollege.com.br), voltada para o público adolescente. As matérias?  Moda, beleza, desfiles, moda, maquiagem, moda, beleza...

 

 

E falando em Sprite

 

E por falar na Sprite, já faz um tempo que eles estão com uma campanha no ar. Com o slogan “As coisas como são”, a campanha se propõe a mostrar a realidade do dia-a-dia, satirizando fatos comuns e até a própria propaganda, com a narração irônica de João Gordo.

 

Querendo ser ousada e divertida, a campanha sintoniza a marca com o público jovem, sarcástico e irreverente, ao “tirar sarro” dos clichês que a própria categoria de refrigerantes costuma utilizar.

 

É engraçado ver a propaganda criando a ilusão de sinceridade para bancar “o melhor amigo”, o único realmente sincero. E com isso conseguir mais consumidores.

 

http://www.portaldapropaganda.com/vitrine/tvportal/2007/03/0013?data=2007/03

Teatro Mágico: a fama antes da mídia

 

Estou atrasada nos meus posts. É fato. Somando a correria e uma certa incompatibilidade de gênios entre mim e o blig, deixei de postar. Pois agora vamos por as coisas nos eixos: mudei o blog pro uol e estou começando um novo texto. Blog novo, vida nova ehehhe.

 

Enfim, faz tempo q eu estava querendo abordar um fenômeno que começa a surgir na mídia e que acho muito interessante: o Teatro Mágico.

 

Creio que muita gente já ouviu falar desse grupo que une arte circense, poesia, música e teatro e que se tornou uma febre entre o público jovem. Tive contato com o trabalho deles através do pessoal que trabalha comigo.

 

Adianto que não estou fazendo nenhuma divulgação, nem sou nenhuma tiete doida, já que o som deles não faz muito meu estilo. Mas coloco o TM aqui por três razões: 1º, É um trabalho de qualidade, você goste ou não. 2º O trabalho deles tem conteúdo, coisa que eu não via há tempos nas bandas brasileiras novas, e nesse conteúdo também existem críticas a sociedade de consumo e a mídia, e 3º Eles são um desses casos raros de sucesso sem jabá, sem serem “criados” pela mídia – hoje, a mídia corre atrás deles.

 

Ah sim, corre mesmo. Porque o Teatro Mágico é cada vez mais um fenômeno. Arrastam multidões fiéis para seus shows, seus fãs são seguidores, que repetem as frases das músicas como um mantra.

 

É até difícil classificar o Teatro Mágico. Este grupo une poesia, teatro, circo, música, malabares e literatura em suas apresentações. Um espetáculo completo e envolvente, que cativa a platéia e tem surpreendido a mídia. Porque as mensagens que ele passa são complexas, e ele não se encaixa em qualquer categoria, como as gravadoras adoram fazer para vender mais. A mensagem deles falam de cultura, de valores, de educação, política e cultura popular.

 

Nenhuma gravadora pensaria que algo assim faria tanto sucesso com jovens do país inteiro.

 

O interessante é como o grupo cresceu. Surgido em Osasco, ele contou basicamente com 2 tipos de divulgação: Internet e boca-a-boca. O material do TM está disponível no site, para quem quiser baixar, o grupo incentiva a cópia e distribuição gratuita das suas músicas e vende CDs nos shows a R$5. Gravados de forma caseira, já venderam mais de 40 mil unidades, sem apoio de gravadoras.

 

Agora, eles viraram moda, estão no Youtube, aparecem na globo, na folha, no estadão. Mas assim mesmo, eles ainda são um fenômeno – alcançaram a fama antes de ter a mídia, e agora a mídia tenta alcançá-los.

 

Conheça mais:

 

http://www.oteatromagico.mus.br

Chegando agora, de mudança, de outro blog. Espero me dar melhor neste .

Primeiro, vamos arrumar a casa, arrumar a mudança e depois postar algo novo, finalmente.

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